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Alvaro Borges Pai - Natureza Morta
Autor
Alvaro Borges Pai
Titulo
Natureza Morta
Ténica
Vinil Encerado
Assinatura
Canto Inferior Direito
Observações

Medida: 25 x 35 cm 

preço sob consulta
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Biografia do Artista

Ponta Grossa/PR,  1928 – Curitiba/PR, 1994.
Pintor, desenhista, gravador e publicitário. Talento precoce, começa a desenhar aos cinco anos de idade. Aos oito, o grupo escolar onde estuda promove sua primeira exposição individual, constituída por desenhos de personagens da História do Brasil, feitos com base em ilustrações e fotos de livros. Em sua retrospectiva organizada pelo MAC-PR, 56 anos mais tarde, Álvaro Borges faz questão de expor um desses primeiros trabalhos, um desenho da figura de José Bonifácio. Autodidata por excelência, inclusive quanto à formação geral, são fundamentais em seu percurso as leituras de infância, como Júlio Verne e All Foster. A música é uma forte presença em seu universo. Já em criança, tem o hábito de desenhar escutando Gastão Formenti, um intérprete da música brasileira que, curiosamente, também foi pintor. Desenhar e pintar ao som de música e, também, tocar violão, são atividades habituais em sua vida. Recebe suas primeiras aulas de desenho com José Daros, em Ponta Grossa/PR, que o aconselha a  dedicar-se ao desenho. Ministra-lhe uma orientação segura, voltada para o objetivismo visual. Em 1946, Álvaro Borges transfere-se para Curitiba, a fim de prestar o serviço militar. Conhece então Loio Pérsio, de quem se torna um grande admirador. De volta a Ponta Grossa, casa-se em 1950 com Ondina Nunes Borges, sua inseparável companheira e incentivadora. O casal tem três filhos, todos artistas: Rogério Nunes Borges, ilustrador; Álvaro Borges Júnior, designer gráfico e artista plástico, e Mauro Nunes Borges, fotógrafo. Em 1952, fixa-se definitivamente com a família em Curitiba. O começo é árduo: durante o dia trabalha em publicidade; à noite, freqüenta as aulas de desenho de Estanislau Traple, por dois anos. Começa a trabalhar com publicidade na Associados Propaganda e em várias agências e empresas. Tem aulas também com Thorstein Andersen. Em 1963, Álvaro realiza sua primeira individual, na Galeria Cocaco, em Curitiba, apresentando desenhos abstratos com nanquim. Só a partir de 1964, quando desenvolve experiências com colagem, é que começa a descobrir a importância da cor desassociada do grafismo, até que, em sua última fase, é a cor que passa a exercer o papel principal nas suas composições. Em 1966, reúne-se com Érico da Silva, Massuda, René Bittencourt e Waldemar Rosa, fundando o Grupo Um, que congrega artistas com tendências modernistas para discutir e refletir sobre arte. Integra o Conselho Estadual de Cultura do Paraná, tornando-se também membro conselheiro do Instituto Saint Hilaire de Defesa dos Sítios Históricos, em 1985. Embora sua participação em salões restrinja-se até inícios da década de 1970, Álvaro Borges desenvolve ao longo de sua vida intenso trabalho como artista plástico. Toma parte de grande número de exposições coletivas e individuais. Pouco antes de seu falecimento, prepara com seus filhos a coletiva Os Quatro Borges, que se torna uma homenagem a todo o seu rico percurso na arte paranaense. Na época em que freqüenta o atelier de Traple (1953/1955), desenvolve uma série de desenhos de observação ligados ao realismo/impressionista da Escola Andersen. Data de 1953 o Retrato de Ondina, a crayon, que encanta pela espontaneidade, lembrando Degas, e que contém já um “clima meditativo”, marca registrada de sua obra. Em 1959, experimenta vários materiais sobre papel, inclusive óleo sobre papelão. Paisagens e naturezas mortas são sua temática principal. Já em 1960, dá preferência à figura humana, fazendo uma releitura da fase azul de Picasso. Por volta de 1963, apresenta composições abstratas com utilização de finos grafismos em nanquim, em sua primeira individual na Galeria Cocaco. O ano de 1965, particularmente produtivo, é marcado por diversas experimentações como Xilogravura e exercícios abstratos com guache. Nas paisagens, já surgem os pinheiros, que vêm a ser um ícone da sua linguagem na fase posterior. Serve-se de forma muito pessoal da experiência cubista para organizar o espaço. Emprega formas geométricas em tons pastéis que se sobrepõem livremente no espaço. Em 1966, seu universo plástico enriquece-se, utiliza colagens com tecidos e esparadrapos, estopa e recortes de jornais. Aproximando-se da espiritualidade de Paul Klee e Bissière, serve-se da construção espacial e das estruturas simbólicas para meditar sobre os mistérios da vida e da morte. A partir dos molinetes de Torres Garcia descobre estruturas símbolos, como peixes, que emprega como arquétipos. Nas cores quase monocromáticas, predominam tons sépias apenas quebrados por tênues azuis ou terras mais escuros. A partir de 1968, adota o papelão como suporte, que lhe propicia fazer desenhos gravados com instrumentos cortantes, associando cores e colagens. Obras como Transfiguração, em óleo sobre tela, podem ser consideradas um dos pontos altos do surrealismo borgeano; em um clima dinâmico que lembra Miró, introduz seus símbolos-chave, como peixes, estrela do mar e vaso. Na década de 1970, dedica-se principalmente à pintura acrílica. Embora as cores cresçam de importância, o grafismo persiste em muitas composições. Há uma acentuada síntese e um clima meditativo que o aproximam da arte metafísica de Morandi. Nas décadas de 1980 e 1990, sua última fase, predomina a técnica de vinil encerado. Apesar dos esquemas compositivos sintéticos e racionais, as naturezas mortas são construídas por meio das cores. Na paisagem, retorna à visão paradisíaca dos Campos Gerais da sua infância e adolescência e faz uma releitura pessoal do Paranismo, emprestando a seus ícones uma dimensão metafísica.
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